Desde que cheguei, já aprendi muitas palavras novas em francês.
Dá muito jeito saber que A perú, A tomate e A puré se serve numA prato para ir comer nA terraço, o que só demora umAs minutos. Como diz o outro ;-) ainda bem que pão é "pain" e que vinho é "vin" - assim os básicos ficam assegurados.
Também parece muito mais "chiqué" devolver um "je vous en prie" quando alguém nos agradece - muito mais chic do que um simples "de rien".
Mas as mais recentes e infelizes adições ao meu vocabulário foram na segunda-feira passada, quando estava a subir para o último autocarro para casa, às sete da tarde.
Um "sans-abri", que cheirava a "saleté" e a "misère", e de olhos vazios como os de um cão vadio, chegou-se a mim e "s'est cramponné" à minha mochila para me "éturdir" e depois me roubar.
Neste momento da história, é preciso pensar três vezes o "roubar", porque a primeira vez que a contei, usei o verbo "voler" e o meu interlocutor francófono entendeu que o indigente se tinha tentado pôr em fuga, de imediato. Da segunda vez que contei a história, optei pelo "ravir" e passei a mensagem de que tinha sido uma tentativa de assalto verdadeiramente notável. [Isto de aprender a falar francês com dicionários tem muito que se lhe diga, mas pouco que se aproveite.] A terceira vez que contei a história fiz aquele silêncio de suspense, com um gesto largo, que finalmente o interlocutor completou com o sentido correcto.
Chego à conclusão que são bastante frequentes as vezes que faço esse gesto largo acompanhado de um "hhh" ou que uso as palavras erradas. Por isso é que me sabe tão bem responder ao "merci" com um "je vous en prie" - sinto-me tão............... [gesto largo].
Felizmente, o assunto da tentativa de "vol au bonjour" (em plena luz do dia) ficou por ali, e entrei para o autocarro depois de ter ameaçado o escroque agressivamente e em bom português (devem ser os efeitos masculinizantes da Harissa... Tant mieux). A minhA "attaque de nerfs" só veio depois.