- (em árabe) ralralralralralralralralralralralralralralral
- Escusez-moi, Monsieur, en français, s.v.p....
- (e continuam) ralralralralralralralralralralralralralralral (com aquele ar de "olha mais uma armada em fina a renunciar às suas raízes árabes...")
- Écoutez, Monsieur - c'est le français ou rien - je suis portugaise...
- AAAAAHHHHHHHHHHHH PORTUGAISE!!! PORTUGAL!!!
E aqui, ao contrário de Moçambique, onde topavam os Tugas a 3km, e de Cabo Verde, onde evocavam o Cristiano Ronaldo, aqui uns falam no gás (nada mal - perspectivas económicas na boca do povo é coisa rara...) outros falam em Lisboa - e outros ainda, que viveram em França, dizem que tinham lá amigos portugueses (Cárválu, Êsstêvésse, Côsstá e outros que tais).
"Pensava que era argelina, desculpe."
E findos quase três meses, tentada a dizer que tenho antepassados da Kabylie (o que iria projectar-me para uma nova e mais elevada esfera de status) eis a receita para ser mais do que a a.k.a. Argelina Jolie - eis uma argelina de gema:
O meu sobretudo preto até aos pés - ingrediente indispensável, comprado na Praça da Figueira, com uma etiqueta a dizer "100% Cashmere Feeling". Tem que se andar muito "tapadinha", como as Barbies locais...

Para mim, carne de porco = haram ("proibido", segundo O Livro). Ganho logo ali mais cinquenta pontos. Ficam muito tristes quando logo a seguir digo que bebo álcool e que não estou em vias de desistir. Fazem-me um olhar tipo "que pena, tinhas tudo para não seres mais uma nesta tropa de Infiéis..."
Molho Harissa - uma pasta bastante picante, divinal, que até em iogurtes fica bom. É feita a partir de malaguetas, alho, azeite, e 14 ou 15 E's cancerígenos. É, literalmente, de chorar. (Espero que não me cresçam pêlos no peito à custa das doses que ingiro...)

O lenço na cabeça - não necessariamente a cobrir tudo - basta tapar o cabelo e só me falta pintar os olhos à la mode locale (com um risco grosso preto, a toda a volta, e umas grandes pestanas) para começarem a pedir-me o número de telemóvel... ou a receber propostas de "relations" [Ver «Cromos do meu Álbum: Mohammed, o Polícia»]


Por último, e não menos importante: Le Véritable Selecto, refrigerante-bebida-nacional. Sabe, segundo uns, a Betadine, e segundo outros, a óleo do motor. A mim sabe-me a "picos", maçã, caramelo, e perfumes tuaregues. Quem não bebe, está fora!!

